ENCARCERAMENTO EM MASSA

A GENEALOGIA DO MAL E O SISTEMA PENAL CONTEMPORÂNEO

Autores

  • Arlen José Silva de Souza Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia - TJRO
  • Karla Caroline Pereira Dias Centro de Estudos Jurídicos da Amazônia – Cejam

DOI:

https://doi.org/10.62009/Emeron.2764.9679n24/2018/179/p112-129

Palavras-chave:

Castigo, Pena, Moral, Sistema penal, Encarceramento

Resumo

A problemática do encarceramento em massa no Brasil deve ser discutida a partir das causas que dão origem à sua existência. O vertente artigo traz conceitos, interpretações e análises nietzschianas que enfocam a natureza do BOM e do MAU, harmonizado e solidificado na obra “Genealogia da Moral: Uma Polêmica”, de maneira que o marco teórico é concretizado na expressão “sob que condições o homem inventou para si os juízos de ‘bom’ e ‘mau’? E que valor têm eles?” (NIETZSCHE, 1998, p. 9). Além disso, trabalha-se na sintetização dos pensamentos de Eugenio Raúl Zaffaroni acerca da legitimidade e legalidade do sistema penal latino-americano, tratado na sua obra “Em busca das penas perdidas”, na qual o autor provoca e desconstrói a tentativa do discurso jurídico-penal de mostrar esse sistema como um exercício de poder planejado racionalmente. A justificativa deste trabalho considera a notoriedade do problema de encarceramento no Brasil, uma vez que o país possui a terceira maior população carcerária do planeta, com 726.712 mil pessoas privadas de liberdade, ou seja, 352 detentos para cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa mundial é de 144 presos por 100 mil habitantes. Número crescente em aproximadamente 7% ao ano, segundo dados do INFOPEN (Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias), de dezembro de 2014 e junho de 2016. Ademais, 40% desses encarcerados são reclusos provisórios. Dessa forma, a política criminal brasileira deixa expressa uma tendência que caminha de encontro aos países que estão à sua frente no ranking referido, a saber: Estados Unidos e China, os quais já priorizam ferramentas que visam diminuir a população aprisionada. Ainda, verifica-se uma expressividade nas estatísticas, no que tange ao perfil das pessoas encarceradas, sendo elas, em sua maioria, pessoas jovens (55%, até 29 anos), negras (64%), de baixa escolaridade (apenas 10% concluíram o ensino médio) e condição social. O trabalho relaciona, então, a origem e evolução histórica da moral, do castigo e da pena, sob a ótica do autor alemão, bem como a crítica do autor argentino à suposta seletividade do sistema penal, com a finalidade de vincular tais conceitos aos dados sobre o encarceramento no Brasil e suas características. Nas considerações finais, estão fixados pontos de convergência entre os pensamentos de Friedrich Nietzsche e Raúl Zaffaroni com a origem do drama social decorrente do aprisionamento maciço brasileiro.

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Biografia do Autor

Arlen José Silva de Souza, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia - TJRO

Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Mestre em Direito pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. MBA em Poder Judiciário pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. Especialista em Direito Penal pela Universidade Federal de Rondônia/Universidade Federal de Minas Gerais. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Rondônia - Unir. Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Rondônia - TJRO. Professor Colaborador da Universidade Europea de Madrid. Professor da Universidade Federal de Rondônia e da Escola da Magistratura de Rondônia - Emeron. Coordenador da Pós-Graduação em Gestão Cartorária Judicial da Escola da Magistratura de Rondônia - Emeron e Membro do Comitê Cientifico da Revista Cadernos de Dereito Actual de Santiago de Compostela/Espanha. Atuação profissional na área de docência no ensino superior nas disciplinas: Direito Penal, Direito Processual Penal, Execução Penal, Direito Eleitoral, Métodos Alternativos de Solução de Conflito e Prática Cartorária.

Karla Caroline Pereira Dias, Centro de Estudos Jurídicos da Amazônia – Cejam

Acadêmica do curso de Direito da Universidade Federal de Rondônia – Unir. Pesquisadora no Centro de Estudos Jurídicos da Amazônia – Cejam, atuando na Linha de Pesquisa “Direito e Políticas Públicas na Amazônia Ocidental”. Foi membro da Diretoria Executiva do Centro Acadêmico de Direito 5 de Outubro. Estagiária no Tribunal de Contas do Estado de Rondônia – TCE/RO.

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Publicado

10/31/2018

Como Citar

SOUZA, Arlen José Silva de; DIAS, Karla Caroline Pereira. ENCARCERAMENTO EM MASSA: A GENEALOGIA DO MAL E O SISTEMA PENAL CONTEMPORÂNEO. Revista da Emeron, Porto Velho, RO, n. 24, p. 112–129, 2018. DOI: 10.62009/Emeron.2764.9679n24/2018/179/p112-129. Disponível em: https://periodicos.emeron.edu.br/index.php/emeron/article/view/179. Acesso em: 11 fev. 2026.

Edição

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