Inteligência artificial pública e soberana no Poder Judiciário brasileiro: arquitetura institucional e epistemológica para a mitigação do racismo algorítmico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62009/Emeron.2764.9679.v3.2026.529.p143-173

Palavras-chave:

racismo algorítmico, inteligência artificial, Poder Judiciário, soberania tecnológica, acesso à justiça

Resumo

A crescente incorporação de sistemas de inteligência artificial (IA) à rotina do Poder Judiciário brasileiro, dos classificadores de processos aos modelos generativos de linguagem, convive com um problema estrutural pouco enfrentado: a reprodução, em escala e sob a aparência de neutralidade técnica, de assimetrias raciais historicamente sedimentadas, fenômeno designado como racismo algorítmico. Este artigo tem por objetivo propor a arquitetura institucional e epistemológica de uma inteligência artificial pública e soberana do sistema de justiça brasileiro, concebida desde a origem para mitigar o racismo algorítmico. A pesquisa, de natureza qualitativa, articula revisão bibliográfica interdisciplinar e análise documental do marco normativo vigente, com destaque para a Resolução CNJ nº 615/2025 e o Projeto de Lei nº 2.338/2023, mobilizando como marco teórico a noção foucaultiana de dispositivo e a crítica decolonial à colonialidade do poder e dos dados. Sustenta-se que a adoção acrítica de modelos privados e estrangeiros constitui forma de colonialismo de dados e que apenas um modelo público, auditável e governado de modo participativo pode operar como contradispositivo. Propõe-se uma arquitetura em quatro camadas (dados, modelo, governança e uso), acompanhada de salvaguardas antirracistas operacionais, entre as quais métricas de equidade auditáveis e fichas de documentação dos conjuntos de dados. Conclui-se que a soberania algorítmica é condição de possibilidade para um Judiciário comprometido com a igualdade material e o acesso à justiça.

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Publicado

09/04/2026

Como Citar

GOMEZ DA SILVA, Renato Luiz. Inteligência artificial pública e soberana no Poder Judiciário brasileiro: arquitetura institucional e epistemológica para a mitigação do racismo algorítmico. Revista da Emeron, Porto Velho, RO, v. 36, n. 3, p. 143–173, 2026. DOI: 10.62009/Emeron.2764.9679.v3.2026.529.p143-173. Disponível em: https://periodicos.emeron.edu.br/index.php/emeron/article/view/529. Acesso em: 12 set. 2026.

Edição

Seção

Edição Especial - Aniversário da Emeron 40 anos

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