Mudanças climáticas e saúde mental

quando o clima também afeta emoções e relações

Autores

  • Anderson Ricardo Martins Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia
  • Leandro Aparecido Fonseca Missiatto Universidade Federal de Rondônia https://orcid.org/0000-0002-6532-735X
  • Douglas Antoni de Jesus Sousa Superintendência de Educação do Estado de Rondônia

DOI:

https://doi.org/10.62009/bemviver.2764.9679n2/2024/424/p22-32

Palavras-chave:

mudanças climáticas, saúde mental, eco-ansiedade, solastalgia, justiça social

Resumo

Este artigo tem como objetivo explorar os efeitos das mudanças climáticas na saúde mental, destacando conceitos como eco-ansiedade e solastalgia, além de analisar como populações vulneráveis são mais afetadas emocionalmente por desastres ambientais. As reflexões decorrem de análises  da literatura que aponta para a crescente incidência de sofrimento psicológico ligado à degradação ambiental. As discussões abordam a relação histórica e cultural entre saúde mental e o meio ambiente, enfatizando a importância de fortalecer redes de apoio, espaços de diálogo e políticas públicas que promovam justiça social e ambiental. Ressalta-se a necessidade de transformação na formação de profissionais de saúde mental, que devem estar preparados para atuar em contextos de desastres climáticos, promovendo ações que integrem cuidado psicológico, defesa da Natureza e engajamento social. As principais conclusões apontam que as desigualdades estruturais intensificam os efeitos psicológicos das mudanças climáticas, especialmente entre grupos marginalizados, e que a compreensão dessas conexões é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de resiliência e recuperação emocional. Para avançar, recomenda-se uma abordagem interdisciplinar, com maior ênfase na defesa ambiental, na formação profissional e na implementação de políticas de justiça social, promovendo um futuro mais sustentável e emocionalmente saudável para todos.

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Biografia do Autor

Anderson Ricardo Martins, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia

Analista Judiciário/ Psicólogo do Tribunal de Justiça de Rondônia desde 2013. Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia/ UNIR; Especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo/ IPUSP; Capacitado em Alienação Parental; Novo Código de Processo Civil; Elaboração de Laudos e Pareceres, Escuta de crianças e adolescentes em situação de violência, entre outros pelo PJRO

Leandro Aparecido Fonseca Missiatto, Universidade Federal de Rondônia

http://lattes.cnpq.br/9236046616211702
Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) com conclusão em 2017, e graduado em Psicologia pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed) em 2012. Analista Processual na Especialidade de Psicologia no Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO). Vice-líder do Laboratório de Relações Interpessoais e Saúde (LARIS) do Departamento de Psicologia da UNIR. Membro da equipe de especialistas do Programa Harmony With Nature das Nações Unidas (ONU). Professor do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia.Áreas de interesse: Identidade, raça, diversidade, gênero, colonialidade/decolonialidade, Direitos da Natureza e amazonidades.

Douglas Antoni de Jesus Sousa, Superintendência de Educação do Estado de Rondônia

http://lattes.cnpq.br/3253599795279568
Graduado em Psicologia - Estácio FAP Faculdade de Pimenta Bueno - RO (2024). Especialização em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Família (2024). Instituto Nacional de Educação e Extensão (INEX). Especialização em Neuropsicologia (2024). Faculdade Vales de Minas (EducaVales). Especialização em Psicologia do Desenvolvimento (2024). Faculdade Vales de Minas (EducaVales). Especialização em Terapia Cognitivo Comportamental (2024). Faculdade Anísio Teixeira (FAT). Especialização em Psicologia Educacional e Escolar (2024). Instituto Ser Psicólogo. Facilitador em Justiça Restaurativa (2024). Emeron. Exerceu o cargo de Diretor de Central Psicossocial da Educação - Secretaria Municipal de Educação de Pimenta Bueno - SEMED. Coordenador do Comitê Municipal de Gestão Colegiada da Rede de Cuidado e de Proteção Social das Crianças e dos Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência (COMGECO).Engajo minha atuação com estudos e pesquisas que integram perspectivas críticas e interseccionais, com enfoque em temas como decolonialidade, psicologia decolonial, direitos humanos, questões raciais, gênero, interseccionalidades epistemológicas, psicologia crítica social, psicologia política e estudos afro-indígenas.Acredito na importância de uma atuação profissional ética e comprometida com a transformação social e com o respeito à diversidade. Valorizo as relações humanas respeitosas e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, encontro inspiração na música, na convivência familiar e na conexão com a natureza, me mantendo em uma perspectiva sensível e holística na minha prática e produção acadêmica.

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Publicado

26-05-2025

Como Citar

MARTINS, Anderson Ricardo; MISSIATTO, Leandro Aparecido Fonseca; SOUSA, Douglas Antoni de Jesus. Mudanças climáticas e saúde mental: quando o clima também afeta emoções e relações. Revista Bem Viver Compartilhando Saberes, Porto Velho, RO, v. 1, n. 2, p. 22–32, 2025. DOI: 10.62009/bemviver.2764.9679n2/2024/424/p22-32. Disponível em: https://periodicos.emeron.edu.br/index.php/bemviver/article/view/424. Acesso em: 10 fev. 2026.

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