Mudanças climáticas e saúde mental
quando o clima também afeta emoções e relações
DOI:
https://doi.org/10.62009/bemviver.2764.9679n2/2024/424/p22-32Palavras-chave:
mudanças climáticas, saúde mental, eco-ansiedade, solastalgia, justiça socialResumo
Este artigo tem como objetivo explorar os efeitos das mudanças climáticas na saúde mental, destacando conceitos como eco-ansiedade e solastalgia, além de analisar como populações vulneráveis são mais afetadas emocionalmente por desastres ambientais. As reflexões decorrem de análises da literatura que aponta para a crescente incidência de sofrimento psicológico ligado à degradação ambiental. As discussões abordam a relação histórica e cultural entre saúde mental e o meio ambiente, enfatizando a importância de fortalecer redes de apoio, espaços de diálogo e políticas públicas que promovam justiça social e ambiental. Ressalta-se a necessidade de transformação na formação de profissionais de saúde mental, que devem estar preparados para atuar em contextos de desastres climáticos, promovendo ações que integrem cuidado psicológico, defesa da Natureza e engajamento social. As principais conclusões apontam que as desigualdades estruturais intensificam os efeitos psicológicos das mudanças climáticas, especialmente entre grupos marginalizados, e que a compreensão dessas conexões é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de resiliência e recuperação emocional. Para avançar, recomenda-se uma abordagem interdisciplinar, com maior ênfase na defesa ambiental, na formação profissional e na implementação de políticas de justiça social, promovendo um futuro mais sustentável e emocionalmente saudável para todos.
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Fonte: Educação em Análise.










