Crise climática no Rio Madeira: sentidos produzidos em audiência pública
DOI:
https://doi.org/10.62009/bemviver.2764.9679n2/2025/501/p8-19Palavras-chave:
crise climática, Rio Madeira, audiência pública, psicologia social, grandes empreendimentosResumo
Este artigo analisa os sentidos atribuídos às mudanças climáticas e aos grandes empreendimentos no Rio Madeira por lideranças de povos originários, comunidades tradicionais e movimentos populares que vivem e lutam no território do Baixo Madeira. As informações foram geradas na audiência pública realizada em abril de 2026, em Porto Velho (RO). A análise, por sua vez, foi orientada pela Psicologia Social. No decorrer do texto, discutimos como ribeirinhos(as), povos indígenas e movimentos populares nomeiam os efeitos dos eventos climáticos extremos e os conectam à expansão das usinas hidrelétricas e do agronegócio na Amazônia. Entende-se a crise climática vivida no território como parte das contradições históricas entre um modelo de desenvolvimento predatório e a reprodução da vida das comunidades atingidas. Ao trazer as denúncias, as perdas materiais e simbólicas e as propostas formuladas coletivamente, o artigo sustenta que espaços públicos de escuta e confronto são lugares onde o sofrimento ganha forma social e os direitos territoriais e ambientais se afirmam. Assim, decorrer do debate, questiona-se as interpretações fragmentadas e naturalizantes sobre a produção dos extremos climáticos em que, intencionalmente, faz-se a separação entre Natureza e modelo de produção. Por outro lado, os sentidos identificados apontam para necessidade de produzir e ocupar espaços públicos para incidir na construção de políticas públicas que protejam comunidades tradicionais, povos originários e populações vulneráveis dos extremos climáticos, a partir dos caminhos indicados pelas comunidades impactadas. Além disso, destaca-se que essas disputas devem ser travadas sem perder de vista que, sob a égide do capitalismo, a Natureza está sempre em disputa para ser inserida no mercado como mercadoria a serviço do lucro de uma minoria.
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Fonte: Educação em Análise.










