AS MULHERES DO NAVIO SATÉLLITE
Palavras-chave:
Revolta da Chibata, Prostitutas do Navio Satéllite, Santo Antônio do MadeiraResumo
O presente artigo se propõe a resgatar os rastros das mulheres que foram aprisionadas em dezembro de 1910 no momento em que o presidente Hermes da Fonseca estabelece, na capital da República, estado de sítio. Classificadas como prostitutas, foram direcionadas, em 25 de dezembro, juntamente com outros presos, para Santo Antônio do Madeira, local onde hoje é Porto Velho, a capital do Estado de Rondônia. Temos como objetivo analisar o contexto histórico do destino final das mulheres deportadas no Navio Satéllite à Santo Antônio do Madeira. Utilizamos como método de pesquisa a pesquisa histórica com revisão de literatura a partir dos descritores: Revolta da Chibata; Mulheres prostitutas do Navio Satéllite; Santo Antônio do Madeira; bem como fez-se estudo documental do ‘Relatório das Condições Gerais sobre as condições sanitárias do Rio Madeira por Oswaldo Cruz’ e ‘Relatório de viagem do comandante do Lloyd Brasileiro Satéllite, Carlos Brandão Storry’. Santo Antônio do Madeira, lugar insalubre onde a doença e a morte são presenças constantes, é palco onde as quarenta e quatro mulheres condenadas ao desterro pelo Governo Federal, chegaram pelo Navio Satéllite em fevereiro de 1911 para não mais retornarem aos braços de suas famílias e origem na capital da República. Essas mulheres expatriadas e lançadas à morte simbólica, de identidade, de brasileiras: estão mortas. A pesquisa revela que essas 44 mulheres resgatadas em sua historicidade devem ser reconhecidas não somente como as prostitutas detidas no Rio de Janeiro e expatriadas e proscritas para o Inferno Verde, mas também, como mulheres brasileiras, que se estabelecem como sobreviventes vitimadas à morte pelo Presidente da República Hermes da Fonseca porque são pioneiras destemidas na formação do povo da localidade que, hoje, conhecemos como a cidade de Porto Velho.