Textos literários
DOI: https://doi.org/10.62009/bemviver.2764.9679n1/2026/577/p63-65
Se sumiu e nem viu
Philiane Ferreira
Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO)
Resumo
O poema expressa um movimento de volta à escrita, de reviravolta e de reencontro com a coragem de se expor, contrapor, afirmar e amar. A composição parte da experiência de uma mulher que, depois de atravessar expectativas familiares, tarefas impostas e adiamentos pessoais, reconhece a possibilidade de traçar as próprias linhas e assumir a autoria de sua vida. Entre lembranças pessoais, histórias alheias e sentimentos acolhidos por um ouvido treinado e por um coração afetado pelo que é genuinamente humano, o poema reflete sobre aprendizagem, autonomia, vínculos e amadurecimento. Ao mesmo tempo, problematiza a influência das redes sociais, das performances digitais e dos algoritmos sobre a percepção de si, mostrando como os afetos podem se perder entre aquilo que foi vivido e aquilo que foi registrado. A escrita surge, assim, como gesto de retorno à própria história, de resistência ao apagamento e de recuperação da menina que sonhava escrever. A criação também incorpora recursos desenvolvidos por meio de práticas e técnicas de escrita criativa.
Palavras-chave: memória; escrita; coragem; identidade; afetos.
Abstract
The poem expresses a movement of returning to writing, of transformation, and of rediscovering the courage to reveal oneself, to challenge, to assert oneself, and to love. The composition draws on the experience of a woman who, after navigating family expectations, imposed responsibilities, and personal postponements, recognizes the possibility of tracing her own lines and claiming authorship of her life. Through personal memories, the stories of others, and feelings received by a trained ear and a heart touched by what is genuinely human, the poem reflects on learning, autonomy, relationships, and maturation. At the same time, it problematizes the influence of social media, digital performances, and algorithms on self-perception, showing how emotions can become lost between what was lived and what was recorded. Writing thus emerges as a gesture of returning to one’s own story, resisting erasure, and recovering the girl who dreamed of writing. The creative process also incorporates resources developed through creative writing practices and techniques.
Keywords: memory; writing; courage; identity; emotions.
Resumen
El poema expresa un movimiento de regreso a la escritura, de transformación y de reencuentro con la valentía de exponerse, contraponerse, afirmarse y amar. La composición parte de la experiencia de una mujer que, después de atravesar expectativas familiares, tareas impuestas y postergaciones personales, reconoce la posibilidad de trazar sus propias líneas y asumir la autoría de su vida. Entre recuerdos personales, historias ajenas y sentimientos acogidos por un oído entrenado y por un corazón afectado por lo que es genuinamente humano, el poema reflexiona sobre el aprendizaje, la autonomía, los vínculos y la maduración. Al mismo tiempo, problematiza la influencia de las redes sociales, de las performances digitales y de los algoritmos sobre la percepción de sí misma, mostrando cómo los afectos pueden perderse entre aquello que fue vivido y aquello que fue registrado. La escritura surge, así, como un gesto de regreso a la propia historia, de resistencia al borramiento y de recuperación de la niña que soñaba con escribir. La creación también incorpora recursos desarrollados mediante prácticas y técnicas de escritura creativa.
Palabras clave: memoria; escritura; valentía; identidad; afectos.
Se sumiu e nem viu
Como me disse um dia uma boa amiga “Deixa de ser menina, tece tua poesia”. E me lembrou de que só tenho eu Pra viver a minha vida. E agora que não tenho em casa A mãe pra me mandar lavar as vasilhas ao invés de fazer o que eu queria, Posso escrever minhas historinhas. Só agora, posso traçar minhas próprias linhas. Um dia começa, um outro termina, outro e o mesmo se encerram, e nada se elimina. Amor, dor, calor, sabor, E ter que aprender, sem querer saber. A vida acontece, imensa e densa Na sutileza desatenta de quem não pensa, só a experimenta, e se deixa propensa a frutificar, Saber podar e saborear. Nos sorrisos dos seus, fortalecer o seu lar. Na confusão dos cenários, nas performances de influenciadores, Nas superfícies codificadas das cenas, falas e poses, Os afetos se perdem, os minutos se esvaziam. A confusão se consolida no desencontro entre o que foi vivido e o que foi registrado em redes E nas distorções das mentes. A contradição se aprofunda, sai do algoritmo E alcança o seu ritmo. Você se contamina, se dopamina, se elimina. E quando já não se vê, perdeu-se da menina Que sonhava com a sua escrita.
Sobre a autora
Philiane Ferreira Paulino da Silva, nome artístico Philiane Ferreira, é mestre em Ciências Sociais pela Universidad Nacional de La Matanza, Argentina (2017). Especialista em Terapia Familiar Sistêmica pelo CEFATEF/SP (2019) e em Gestão Municipal de Políticas Públicas pela Faculdade de Direito de Vitória - FDV (2004). Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (2002). Analista judiciária - assistente social - no Tribunal de Justiça de Rondônia. Exerceu atividade docente de 2008 a 2020. Suas atividades profissionais relacionam-se aos seguintes temas: perícias, relatórios e pareceres técnicos no campo sociojurídico, conflitos familiares, medidas protetivas de violências, redes de atendimento do serviço público, política de assistência social, formação profissional e planejamento. E-mails: philiferreira11@gmail.com; philiane@tjro.jus.br