A entrevista é uma importante ferramenta para a construção
de dados na pesquisa porque ela facilita a comunicação
entre as partes envolvidas no processo investigativo. Com o
diálogo, o/a pesquisador/a pode obter informações que não
são encontradas em documentos com riqueza de detalhes
porque são informações oriundas da experiência e da
vivência do/a participante no fenômeno educativo
investigado. O tipo de entrevista feita com a senhora Célia
Regina foi semiestruturada, que permite uma maior
flexibilidade nas respostas e nos diálogos, onde:
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Revista Bem Viver Co mparti lhando Saber es, V. 2, Nº 1 - J aneiro a Junho/2025
As questões, nesse caso, deverão ser
formuladas de forma a permitir que o sujeito
discorra e verbalize seus pensamentos,
tendências e reflexões sobre os temas
apresentados. O questionamento é mais
profundo e, também, mais subjetivo, levando
ambos a um relacionamento recíproco, muitas
vezes, de confiabilidade. Frequentemente, elas
dizem respeito a uma avaliação de crenças,
sentimentos, valores, atitudes, razões e
motivos acompanhados de fatos e
comportamentos. Exigem que se componha um
roteiro de tópicos selecionados. As questões
seguem uma formulação flexível, e a sequência
e as minúcias ficam por conta do discurso dos
sujeitos e da dinâmica que acontece
naturalmente (Rosa; Arnoldi, 2008, p. 30-31).
INTRODUÇÃO
Diante do contexto, foi escolhida a entrevista
semiestruturada, considerada importante instrumento de
coleta de dados para a pesquisa qualitativa, uma vez que
seu caráter mais flexível e passível de trocas permite ao/a
investigador/a interpretar a realidade com base nos
depoimentos dados pelos/as participantes, conforme observa
Bastos e Santos (2013, p. 71) ao apontar que entrevista
semiestruturada é “[...] uma oportunidade em que os
participantes constroem versões e significados para o mundo
em que estão inseridos e do qual fazem parte.
O roteiro desta entrevista foi com a senhora Célia Regina
Gomes Ângelo, residente da zona rural do município de Ji-
Paraná. Nascida em 1954 no estado de São Paulo ela
chegou em Rondônia no final da década de 1970 juntamente
com seu esposo, o senhor Nourival Ângelo. Movidos pelo
ímpeto de conseguirem um pedaço de terra onde pudessem
viver, esse casal foi um dos pioneiros da linha 98.