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Revista Bem Vi ver Com partilh ando Sa beres, V. 2, N º 1 - J aneiro a Junho /2025
Crianças negras em escolas públicas frequentemente
enfrentam discriminação, falta de recursos adequados e
apoio insuficiente, o que perpetua um ciclo de desvantagem
e exclusão. Segundo Silva (2019), "a discriminação racial
afeta a autoestima e o desenvolvimento psicológico das
crianças negras, limitando suas oportunidades e perspectivas
futuras". Abordar essas questões é essencial para promover
a equidade e a justiça social, contribuindo para uma
sociedade mais inclusiva e igualitária.
A desigualdade racial e de classe na educação brasileira
constitui um problema estrutural e persistente, cujos efeitos
são especialmente sentidos por crianças negras nas escolas
públicas. Nesse contexto, destaca-se a importância do papel
do psicólogo escolar na promoção de um ambiente
educacional mais inclusivo e equitativo. Um dos maiores e
mais complexos desafios que a Educação brasileira enfrenta
é a desigualdade étnico-racial que, no Brasil, é um fator
organizador das diversas esferas da vida social e que
atravessa, também, a produção e implementação das
políticas públicas. Para Gomes (2023) existe uma complexa
relação entre educação e identidade negra, ao passo que
ambos os processos estão imbricados e moldados pelos
contextos históricos, sociais, políticos, econômicos e
culturais. Segundo Gomes (2010,pag.24):
É importante destacar que, nesse sentido, as raças
são compreendidas como construções sociais,
políticas e culturais produzidas no contexto das
relações de poder ao longo do processo histórico.
Não significam, de forma alguma, um dado da
natureza.1 É na cultura e na vida social que nós
aprendemos a enxergar as raças. Isso significa que
aprendemos a ver as pessoas como negras e
brancas e, por conseguinte, a classificá-las e a
perceber suas diferenças no contato social, na
forma como somos educados e socializados, a
ponto de essas ditas diferenças serem introjetadas
em nossa forma de ser e ver o outro, na nossa
subjetividade, nas relações sociais mais amplas.
Aprendemos, na cultura e na sociedade, a perceber
as diferenças, a comparar, a classificar. Se as
coisas ficassem só nesse plano, não teríamos
tantos complicadores. O problema é que, nesse
mesmo contexto, aprendemos a hierarquizar as
classificações sociais, raciais, de gênero, entre
outras. Ou seja, também vamos aprendendo a tratar
as diferenças de forma desigual.
INTRODUÇÃO