ARTIGOS
A DESIGUALDADE RACIAL E O IMPACTO SÓCIO
EMOCIONAL NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES
RACIAL INEQUALITY AND THE SOCIO-EMOTIONAL
IMPACT ON THE LEARNING OF CHILDREN AND
ADOLESCENTS
LA DESIGUALDAD RACIAL Y EL IMPACTO
SOCIOEMOCIONAL EN EL APRENDIZAJE DE NIÑOS(AS)
Y ADOLESCENTES
Daiane Ferreira da Costa1
RESUMO
A desigualdade racial e de classe na educação brasileira é um problema
persistente que impacta significativamente as crianças negras em escolas
públicas. Este estudo busca compreender os desafios enfrentados por
essas crianças e as formas de resiliência desenvolvidas por elas no
ambiente escolar. A discriminação racial e as barreiras socioeconômicas
são fatores que contribuem para a reprodução de desigualdades
educacionais, perpetuando ciclos de exclusão e marginalização. A análise
explora como fatores relacionados à discriminação racial, estigmatização
e acesso desigual a recursos educacionais podem afetar o
desenvolvimento emocional, cognitivo e social desses jovens. A pesquisa
também investiga como o ambiente escolar pode tanto contribuir para a
perpetuação dessas desigualdades quanto atuar como um espaço de
resistência e acolhimento. Ao refletir sobre as implicações da
desigualdade racial para a saúde mental e o desempenho acadêmico, o
artigo busca evidenciar a importância de práticas pedagógicas inclusivas e
do fortalecimento do suporte emocional para crianças e adolescentes
negros, promovendo uma abordagem educacional mais justa e equitativa.
desigualdade racial; aprendizagem; impactos sócio
Palavras-chave:
Émerson Ribeiro Jardin2
1 Universidade Federal de Rondônia (UNIR). E-mail: daianefcosta432@gmail.com
Faculdade Estácio de Pimenta Bueno. E-mail: ribeiroemerson92@gmail.com
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emocional.
ABSTRACT
Racial and class inequality in Brazilian education is a persistent problem that significantly
impacts Black children in public schools. This study seeks to understand the challenges
faced by these children and the forms of resilience they develop within the school
environment. Racial discrimination and socioeconomic barriers are factors that contribute to
the reproduction of educational inequalities, perpetuating cycles of exclusion and
marginalization. The analysis explores how factors related to racial discrimination,
stigmatization, and unequal access to educational resources can affect the emotional,
cognitive, and social development of these young people. The research also investigates
how the school environment can both contribute to the perpetuation of these inequalities and
serve as a space for resistance and support. By reflecting on the implications of racial
inequality for mental health and academic performance, the article aims to highlight the
importance of inclusive pedagogical practices and the strengthening of emotional support for
Black children and adolescents, promoting a fairer and more equitable educational approach.
racial inequality; learning; socio-emotional impactsKeywords:
RESUMEN
La desigualdad racial y de clase en la educación brasileña es un problema persistente que
impacta significativamente a los(as) niños(as) negros(as) en las escuelas públicas. Este
estudio busca comprender los desafíos que enfrentan estos(as) niños(as) y las formas de
resiliencia que desarrollan en el entorno escolar. La discriminación racial y las barreras
socioeconómicas son factores que contribuyen a la reproducción de desigualdades
educativas, perpetuando ciclos de exclusión y marginación. El análisis explora cómo los
factores relacionados con la discriminación racial, la estigmatización y el acceso desigual a
los recursos educativos pueden afectar el desarrollo emocional, cognitivo y social de
estos(as) jóvenes. La investigación también investiga cómo el entorno escolar puede tanto
contribuir a la perpetuación de estas desigualdades como actuar como un espacio de
resistencia y acogida. Al reflexionar sobre las implicaciones de la desigualdad racial para la
salud mental y el rendimiento académico, el artículo busca evidenciar la importancia de
prácticas pedagógicas inclusivas y el fortalecimiento del apoyo emocional para niños(as) y
adolescentes negros(as), promoviendo un enfoque educativo más justo y equitativo.
desigualdad racial; aprendizaje; impactos socioemocionalesPalabras clave:
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Crianças negras em escolas públicas frequentemente
enfrentam discriminação, falta de recursos adequados e
apoio insuficiente, o que perpetua um ciclo de desvantagem
e exclusão. Segundo Silva (2019), "a discriminação racial
afeta a autoestima e o desenvolvimento psicológico das
crianças negras, limitando suas oportunidades e perspectivas
futuras". Abordar essas questões é essencial para promover
a equidade e a justiça social, contribuindo para uma
sociedade mais inclusiva e igualitária.
A desigualdade racial e de classe na educação brasileira
constitui um problema estrutural e persistente, cujos efeitos
são especialmente sentidos por crianças negras nas escolas
públicas. Nesse contexto, destaca-se a importância do papel
do psicólogo escolar na promoção de um ambiente
educacional mais inclusivo e equitativo. Um dos maiores e
mais complexos desafios que a Educação brasileira enfrenta
é a desigualdade étnico-racial que, no Brasil, é um fator
organizador das diversas esferas da vida social e que
atravessa, também, a produção e implementação das
políticas públicas. Para Gomes (2023) existe uma complexa
relação entre educação e identidade negra, ao passo que
ambos os processos estão imbricados e moldados pelos
contextos históricos, sociais, políticos, econômicos e
culturais. Segundo Gomes (2010,pag.24):
É importante destacar que, nesse sentido, as raças
são compreendidas como construções sociais,
políticas e culturais produzidas no contexto das
relações de poder ao longo do processo histórico.
Não significam, de forma alguma, um dado da
natureza.1 É na cultura e na vida social que nós
aprendemos a enxergar as raças. Isso significa que
aprendemos a ver as pessoas como negras e
brancas e, por conseguinte, a classificá-las e a
perceber suas diferenças no contato social, na
forma como somos educados e socializados, a
ponto de essas ditas diferenças serem introjetadas
em nossa forma de ser e ver o outro, na nossa
subjetividade, nas relações sociais mais amplas.
Aprendemos, na cultura e na sociedade, a perceber
as diferenças, a comparar, a classificar. Se as
coisas ficassem só nesse plano, não teríamos
tantos complicadores. O problema é que, nesse
mesmo contexto, aprendemos a hierarquizar as
classificações sociais, raciais, de gênero, entre
outras. Ou seja, também vamos aprendendo a tratar
as diferenças de forma desigual.
INTRODUÇÃO
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A literatura sobre o tema destaca que a escola, enquanto instituição social, frequentemente
reflete e reforça as desigualdades presentes na sociedade. Segundo Lima (2019), as
desigualdades educacionais no Brasil são um reflexo direto das desigualdades sociais e
econômicas, sendo particularmente severas para a população negra. A segregação racial no
ambiente escolar não é apenas uma questão de acesso, mas também de qualidade do
ensino oferecido, infraestrutura, e tratamento diferenciado dos alunos.
Estudos recentes indicam que a discriminação racial no ambiente escolar pode se
manifestar de diversas formas, desde práticas pedagógicas excludentes até a falta de
representatividade no currículo escolar. Souza e Almeida (2020) apontam que as práticas
pedagógicas muitas vezes não consideram a diversidade cultural dos alunos, o que contribui
para a alienação e desmotivação das crianças negras. Além disso, a ausência de figuras
negras em materiais didáticos e na equipe docente reforça a invisibilidade e a
desvalorizão das identidades negras.
A investigação visa não apenas compreender os desafios enfrentados pelas crianças
negras, mas também destacar as práticas e políticas que podem inspirar mudanças
significativas no sistema educacional. A formação de cidadãos mais conscientes e
tolerantes beneficia toda a sociedade, preparando-os para enfrentar e superar as
desigualdades estruturais.
No campo da psicologia da aprendizagem, teorias como o sócio-construtivismo de Vigotsky
oferecem um olhar essencial sobre o papel do ambiente e da interação social no
desenvolvimento da criança. Segundo Vigotsky (1988), a aprendizagem é um resultado
adaptativo de natureza social, histórica e cultural. O referencial sócio-construtivista situa a
educação e a escola como agentes fundamentais no desenvolvimento dos indivíduos, e o
professor como planejador, observador e promotor desse processo. A aprendizagem pode
ser entendida como a aquisição de novos conhecimentos, cujo resultado é a modificação do
comportamento (Brandão, 1995 apud Cruz et al.).
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Por outro lado, a teoria do condicionamento operante de Skinner, enfatiza que o reforço e as
contingências são primordiais no processo de aprendizagem. Logo, o ensino se torna efetivo
quando as contingências de reforço são aplicadas dentro do que precisa ser ensinado. A
função do professor é ampliar a probabilidade de que o aluno apresente o comportamento
desejado através da aplicação das contingências (Borges et al., 2020). O docente deve
estabelecer um objetivo geral a ser alcançado através de estímulos que eliciarão diversas
respostas. A função do professor nesse cenário está ligada a escolha de uma contingência
de reforço favorável, pois de acordo com Moreira e Medeiros (2007) aprendemos a partir do
momento em que aquilo que desenvolvemos gera consequências reforçadoras (Borges et
al., 2020).
A análise da desigualdade racial nas escolas é urgente, pois esse problema não apenas
impacta o desenvolvimento acadêmico das crianças e adolescentes negras, mas também
afeta sua saúde mental, autoestima e percepção de pertencimento. Estudar o impacto da
discriminação racial no ambiente escolar permite identificar os mecanismos de exclusão e,
consequentemente, contribuir para a construção de uma educação mais inclusiva. O papel
do psicólogo escolar é crucial nesse contexto, pois ele pode atuar como facilitador de
processos que garantam o acolhimento e a valorização da identidade racial do aluno.
Deste modo, o objetivo deste artigo é analisar como a desigualdade racial influencia o
desenvolvimento socioemocional e na aprendizagem de crianças e adolescentes em escolas
públicas, identificando desafios e estratégias para um ambiente educacional mais inclusivo.
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METODOLOGIA
Trata-se de um estudo qualitativo de abordagem de revisão de literatura, que englobou
estudos sobre a desigualdade racial na educação, os efeitos socioemocionais dessa
desigualdade na aprendizagem, e as práticas pedagógicas inclusivas. A revisão incluiu tanto
a análise de teorias psicológicas, como as de Vygotsky e Skinner, quanto a avaliação de
políticas públicas que buscam promover a igualdade racial nas escolas.
A pesquisa foi conduzida a partir da análise de artigos científicos, livros, dissertações, teses
e documentos oficiais publicados em bases de dados acadêmicas, incluindo SciELO,
Google Acadêmico e Periódicos CAPES, utilizando descritores como desigualdade racial na
educação, impacto da discriminação racial na aprendizagem, educação inclusiva ,
identidade racial e psicologia e desenvolvimento socioemocional de crianças negras. Os
critérios de inclusão adotados foram: estudos publicados nos últimos dez anos, pesquisas
que abordam a relação entre desigualdade racial, desempenho acadêmico e
desenvolvimento sócio emocional e artigos que tenham proposta de práticas inclusivas. Os
critérios de exclusão foram: trabalhos que não abordavam a interseção entre raça e
educação, e artigos que não contemplavam o período demarcado.
Esse estudo fundamenta-se em duas teorias educacionais que contribuem para
compreender o impacto da desigualdade racial na aprendizagem e no desenvolvimento de
crianças e adolescentes, sendo elas: a teoria Socioconstrutivista de Vygotsky, que destaca
a importância das interações sociais no aprendizado e a Teoria do Condicionamento
Operante de Skinner, que enfatiza o papel do reforço no processo educacional. Dessa
forma, a combinação dessas abordagens teórica e da análise da literatura, permite uma
compreensão mais ampla dos desafios enfrentados, bem como também as possibilidades
de intervenção pedagógica para construção de um ambiente mais equitativo.
A atuação do psicólogo escolar é fundamental na promoção de uma educação inclusiva que
valorize a diversidade étnico-racial. Em um ambiente educacional marcado por desafios
relacionados ao preconceito racial e às desigualdades sociais, este profissional
desempenha um papel crucial ao mediar o processo de construção identitária das crianças,
especialmente no que diz respeito à sua identidade racial. Ao atuar nesse contexto,
contribui para o desenvolvimento de uma aceitação da própria identidade racial, ao mesmo
tempo em que ajuda a desconstruir estereótipos raciais presentes nas interações escolares.
A Resolução 018/2002 do Conselho Federal de Psicologia, estabelece normas de atuação
para os psicólogos em relação ao preconceito e à discriminação racial. Diante disso, o
psicólogo (a) deve promover ações que respeitem e valorizem a diversidade humana e
cultural e comatam qualquer forma de discriminação, preconceito ou violência,
especialmente no que tange às questões étnico-raciais.
Nesse sentido, a intervenção do psicólogo no ambiente escolar pode ajudar a prevenir e
intervir em situações de racismo institucional e nas relações interpessoais entre alunos,
contribuindo para a construção de um ambiente mais acolhedor e equitativo. Além disso,
conforme destaca Martins (2015), o psicólogo tem a responsabilidade de promover uma
educação emancipatória que ajude as crianças a compreenderem e se orgulharem de sua
identidade racial, desenvolvendo estratégias para lidar com o racismo e a discriminação.
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RESULTADOS
O psicólogo nas relações étnico-raciais no contexto escolar
A construção de uma identidade
racial é fundamental para a
formação de crianças negras, pois,
segundo Silva (2017), crianças que
internalizam percepções negativas
de sua ra tendem a desenvolver
baixa autoestima e problemas
emocionais que impactam
negativamente seu
desenvolvimento.
O psicólogo, ao promover
atividades que exploram a
identidade racial por meio da arte,
discussões e reflexões sobre a cor
da pele e as relações sociais, atua
como mediador no fortalecimento
da auto aceitão e da autoimagem
das crianças negras. Ele não
apenas auxilia na superão de
barreiras emocionais impostas pelo
racismo, mas também cria espaços
de fala e escuta, onde as crianças
podem expressar livremente suas
vivências e percepções. Esse papel
é especialmente importante em
contextos escolares que muitas vezes perpetuam práticas de discrminação velada ou
explícita, como indica Coutinho (2018).
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DISCUSSÃO
A discussão sobre a desigualdade racial e seu impacto socioemocional na aprendizagem de
crianças e adolescentes pode ser enriquecida ao correlacionarmos as teorias de autores
como Vigotsky (1988) , Borges (2022), Gomes (2023), Souza e Almeida (2020). Cada um
desses teóricos contribui com perspectivas complementares para compreender como a
desigualdade racial afeta não apenas o desempenho acadêmico, mas também a construção
da identidade e do bem-estar emocional dos estudantes negros.
Vigotsky (1988) enfatiza que a aprendizagem é um processo mediado pelo contexto social e
histórico. Nesse sentido, a interação das crianças negras com um ambiente educacional
excludente pode limitar seu desenvolvimento cognitivo. A falta de representação positiva e a
ausência de incentivo por parte dos professores e colegas podem impactar negativamente a
zona de desenvolvimento proximal desses alunos, reduzindo suas oportunidades de
crescimento acadêmico e pessoal.
A teoria do condicionamento operante, formulada por Skinner (apud Borges, 2022), destaca
a importância do reforço positivo no processo de aprendizagem. O ambiente escolar, nesse
contexto, pode atuar como reforçador tanto positivo quanto negativo. Quando crianças
negras são submetidas a expectativas reduzidas e punições desproporcionais, tendem a
internalizar essas experiências e apresentar comportamentos de evitamento, desmotivação
e baixa autoestima. A ausência de reconhecimento por seus esforços contribui para o
afastamento do processo educacional.
Gomes (2010) contribui com uma análise crítica da relação entre educação e identidade
negra, ressaltando que o racismo estrutural impacta a forma como as crianças negras se
percebem dentro do espaço escolar. O autor argumenta que as representações sociais
sobre raça e desigualdade são historicamente construídas e se refletem nas experiências
diárias dos alunos negros, influenciando suas expectativas sobre o futuro e seu sentimento
de pertencimento.
Souza e Almeida (2020) complementam essa discussão ao apontar que a exclusão
pedagógica ocorre tanto de maneira explícita quanto implícita. Currículos eurocêntricos e a
ausência de figuras negras nos materiais didáticos reforçam a invisibilidade das
contribuições históricas e culturais da população negra. Esse fator contribui para a
alienação dos alunos e o afastamento da escola, impactando diretamente sua aprendizagem
e desenvolvimento socioemocional.
Ao integrar essas perspectivas, percebe-se que a desigualdade racial na educação não se
restringe apenas a questões estruturais e econômicas, mas também afeta o
desenvolvimento psicossocial das crianças. A falta de representação positiva, as práticas
excludentes e a ausência de suporte emocional comprometem a forma como os alunos
negros se enxergam e interagem com o ambiente escolar. Para mitigar esses impactos, é
essencial que a escola adote práticas pedagógicas inclusivas, que valorizem a diversidade e
promovam um ambiente de pertencimento e acolhimento.
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Daiane Ferreira da Costa. Psicóloga, pós-graduada em Psicologia Social e Neuropsicologia.
Atualmente, é mestranda em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR),
acadêmica do curso de Gestão Pública no IFRO Campus Jaru e técnica em Agroecologia pelo
IFRO Campus Cacoal. Possui experiência com projetos voltados à equidade social, questões
raciais, políticas públicas e fortalecimento de saberes comunitários no contexto amazônico.
Atualmente, trabalha como psicóloga escolar na Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), no
município de Ji-Paraná, RO.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A desigualdade racial no ambiente escolar é uma questão estrutural que impacta
diretamente o desenvolvimento socioemocional e a aprendizagem de crianças e
adolescentes negros. A discriminação, a falta de representatividade e o acesso desigual a
recursos educacionais contribuem para a perpetuação de um ciclo de exclusão e
desmotivação, limitando as oportunidades desses estudantes.
A escola, como reflexo da sociedade, tanto pode reproduzir essas desigualdades quanto
atuar como um agente transformador. A psicologia da aprendizagem oferece bases teóricas
que permitem compreender como o ambiente escolar influencia o desenvolvimento cognitivo
e emocional das crianças. O sócio-construtivismo de Vigotsky destaca a importância das
interações sociais no aprendizado, enquanto a teoria do condicionamento operante de
Skinner enfatiza o papel do reforço no processo educacional.
Diante desse cenário, é fundamental a implementação de políticas públicas e práticas
pedagógicas que combatam o racismo estrutural na educação, garantindo um ambiente
escolar mais equitativo. Isso inclui a valorização da diversidade no currículo, a formação de
professores para lidar com questões raciais e o fortalecimento do suporte psicológico para
os alunos. Somente com um compromisso coletivo e ações efetivas será possível construir
um sistema educacional que promova a equidade e contribua para o desenvolvimento pleno
de todas as crianças e adolescentes.
Émerson Ribeiro Jardin. Técnico em Segurança do Trabalho, atuando na área de saúde e
segurança ocupacional na empresa Cone Sul, revendedora Ambev. Atualmente é estudante de
Psicologia na Estácio FAP de Pimenta Bueno. Desenvolve atividades voltadas à saúde mental e
questões sociais, com relato de experiência em fase de publicação pela Rede de Apoio
Psicossocial (RAPS) no site da Fiocruz, abordando os impactos da saúde mental da equipe de
saúde da Unidade Básica de Saúde Maura Ferreira. Também atua como membro discente da
faculdade e participa da Comissão Própria de Autoavaliação do polo de ensino.
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